Serena (i)

Ó Serena, se fosses só um nome na pele,
uma curva na estrada com vista para nada,
um mapa esquecido no bolso roto da infância,
era mais fácil.

Se fosses só o cheiro das festas e da aguardente,
os foguetes aos saltos, o tambor sem fôlego,
a cadeira de vime na sombra da parra,
o lavrador a mastigar o dia —

mas não.
És o remorso de ter crescido.
O vinco no lençol que não se estende mais.
A aldeia dentro de mim que ninguém vê
mas que me fala todos os dias
na língua morta da memória,
com os lábios cerrados da terra.